4 - The Wittelsbach Blue

35.56 cts US$23.400.000

Christie's Dec  2008
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Second largest Fancy Color Blue Diamond of the World - Wittelsbach
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   O que o diamante Wittelsbach tem para contar, ao longo dos seus 300 anos de história, daria um volumoso romance e, vertido ao cinema, uns 3 ou quatro filmes estavam garantidos! O
primeiro texto que colocámos foi o do catálogo da Christie's, que remete para a história "oficial" deste diamante, já o 2º texto é um artigo escrito por dois eminentes investigadores
alemães, tendo sido publicado na revista GEMS & GEMOLOGY logo após a sua venda na Christie's. Nele são desmontados os mitos e reveladas as mentiras que sobre o mesmo se
escreveram e disseram, inclusive no próprio catálogo da Christie's.
  Para nós, portugueses, um dos disparates que foi dito tem uma especial ligação com a nossa História, pois foi aventada a hipótese de este diamante ter sido lapidado em Portugal na
década de 1660 ... para Filipe IV, precisamente o Rei espanhol que tinha sido nosso Rei até 1640. Infelizmente nessa época não tinhamos por cá nenhum lapidador de diamantes, e muito
menos iriamos lapidar uma pedra para o Rei de Castela, o qual havia sido escorraçado do nosso território 20 anos antes.
  Mas mesmo após a venda a polémica continuou, visto o histórico diamante da coroa da Baviera ter sido comprado pelo joalheiro londrino Laurence Graff, que o mandaria relapidar por
forma a tirar as imperfeições e pequenos danos sofridos ao longo de 300 anos, e, talvez baseado na nova vida que lhe havia dado, o rebaptizou para
Wittelsbach-Graff, o que os alemães
tomaram como uma dupla afronta e desrespeito pela sua história.
   Em nossa opinião o diamante beneficiou bastante com esta relapidação, onde perdeu pouco mais de 4 quilates, mas também não somos alemães para sentir o que estes sentiram, o
incompreensível é o que levou a Wittelsbacher Ausgleichsfonds (WAF) a vender este diamante em 1951 e a não o comprar em 2008. A sua tentativa de venda na Christie's em 1931
ainda aceitamos, dadas as circustâncias económicas na época, agora que o tenham escondido durante 20 anos e trocado o mesmo por um vidro azul, para depois o venderem em
segredo por 1 milhão de Marcos quando os fundos da WAF estavam estimados entre 300 a 500 milhões, e agora, 60 anos depois, não o licitem e ainda virem queixar-se é que é um
pouco surreal.
   Como nota final, sobre os fascinantes diamantes azuis e as suas propriedades únicas recomendamos a leitura do livro de Michael Crichton "Congo", do qual foi feito um filme que, ou se
vê antes de ler o livro, ou então poderá tornar-se uma desilusão como aconteceu conosco. E já agora fiquem a saber que o diamante azul pertença do Vaticano, com algo mais de 10
quilates, era de um português que colecionou alguns dos melhores diamantes de cor a nível mundial, ainda me recordo da noite em que o analisei como se tivesse sido ontem!
    Esta é a origem da polémica - do lado direito temos o Wittelsbach como foi vendido na Christie's, tal como era há 300 anos, classificado pelo GIA como "Fancy Deep
Grayish Blue" e de pureza VS2, e à sua esquerda o "novo" Wittelsbach-Graff com menos 4,45 cts ( de 35.56 cts para 31.06 cts) apresentando um cor "Fancy Deep Blue"
e pureza "Internally Flawless". Numa operação de marketing genial, laurence Graff levou o seu diamante para o Smithsonian National Museum of Natural History em
Washington, colocando-o lado a lado, numa exposição levada a cabo entre 28 de Janeiro e Agosto de 2010, com o célebre diamante azul Hope, que apesar de ter 45.52
cts tem a cor original do Wittelsbach e uma pureza VS1. Depois disto, o Wittelsbach-Graff deve ter passado a valer qualquer coisa como 100 milhões de dólares...!
Na página seguinte apresentamos um video
realizado no Smithsonian onde são comparados os
dois diamantes - Wittelsbach vs Hope - e um
excelente artigo publicado na Gems & Gemology do
Verão de 2010, escrito por vários investigadores,
onde é posta de parte a hipótese de estes dois
diamantes provirem da mesma pedra em bruto, algo
há muito aventado e o que Laurence Graff tentou
transmitir ao juntá-los numa mediática exposição.